Caco Antibes hoje? Miguel Falabella diz por que personagem não existiria

Em entrevista ao Roda Viva, o ator e dramaturgo afirma que o medo do cancelamento digital engessa as produções atuais e diz que Caco Antibes não existiria hoje.
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O ator e dramaturgo Miguel Falabella participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (15). Durante a entrevista, ele listou as principais diferenças que dominam a televisão atual e criticou o conservadorismo dos novos produtos audiovisuais. Segundo ele, a televisão brasileira está “refém do tribunal da internet” e perdeu a coragem de ousar em suas produções.

Os jornalistas bancadas questionaram o artista se hoje seria possível criar um personagem como Caco Antibes, o icônico protagonista de Sai de Baixo. O humorístico ocupou as noites de domingo da TV Globo entre 1994 e 2002.

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Marisa Orth e Miguel Falabella viveram Magda e Caco no seriado Sai de Baixo, da TV Globo (Foto: Reprodução)

Miguel Falabella lembrou que Caco representa o reflexo da época em que a Globo o produziu. “Existem centenas de Cacos pelo Brasil. O Caco era um homem canalha, mentiroso, aproveitador e miserável, mas a forma com que eu o interpretava conquistou o público. Hoje já não seria possível, por exemplo, mandar uma mulher calar a boca”, pontuou o ator.

A bancada de entrevistadores contou com nomes importantes do jornalismo e da crítica de TV, como Cristina Padiglione e o apresentador Leão Lobo. Na sabatina, Falabella também relembrou sua relação com a atriz Marília Pêra e destacou como ela o incentivou no início da carreira.

Emprego para os amigos e bastidores

Outro tema marcante foi o hábito do autor de repetir os mesmos atores em suas séries, novelas e espetáculos. Miguel Falabella justificou a escolha de forma direta: ele escreve para garantir que os amigos tenham trabalho.

“Eu sempre escrevo para os colegas, gosto de vê-los empregados. Fico desesperado quando vejo meus colegas sem emprego. E não são apenas atores, são técnicos, contrarregras, camareiras. Todo mundo”, desabafou.

Dramaturgo elegeu o seriado Toma Lá Dá Cá, de 2005, como seu ápice no gênero sitcom (Foto: TV Cultura)

“Toma Lá Dá Cá foi meu ápice”

O dramaturgo também elegeu o seu melhor projeto no formato de comédia de situação (sitcom). Ele apontou o seriado Toma Lá Dá Cá como o ponto alto da sua carreira nesse gênero. Até hoje, centenas de fãs relembram o humorístico nas redes sociais. Falabella assinou a criação e a redação final do programa, que o canal Multishow reprisa atualmente e que está disponível no Globoplay.

Recentemente, o autor Aguinaldo Silva homenageou o seriado na novela Três Graças. Os personagens Kasper, vivido por Miguel Falabella, e Dona Josefa, interpretada por Arlete Salles (que também integrou o elenco de Toma Lá Dá Cá), reviveram na trama os famosos bordões de Mário Jorge e Copélia.

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