A falta que Cristiana Lôbo faz na cobertura eleitoral da TV

Jornalista deixou um legado na televisão brasileira e segue fazendo falta nas grandes coberturas políticas
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O período eleitoral começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto. Mas este não é um texto para analisar as chances de vitória das principais legendas na corrida presidencial de 2026. O objetivo aqui é resgatar a falta que faz, e continuará fazendo, a jornalista Cristiana Lôbo na cobertura política da televisão brasileira.

Cris Lôbo faleceu em novembro de 2021, vítima de complicações de um câncer, após uma trajetória vitoriosa no jornalismo impresso e, sobretudo, no meio televisivo. Nascida em Goiânia, iniciou sua carreira nos jornais antes de se consolidar como uma das vozes mais respeitadas do canal de notícias da TV fechada, onde se destacou como comentarista do Jornal das Dez e titular do programa Fatos e Versões.

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Jornalista Cristiana Lôbo imprimiu jeito particular de comentar sobre política na TV (Foto: TV Globo)

Segundo os registros do projeto Memória Globo, Cristiana estreou na GloboNews em 1997. Já na emissora, manteve a dinâmica da apuração impressa, dialogando diariamente com colegas do jornal O Globo e fontes dos bastidores do poder. “Eu trato a televisão como tratava a coluna do jornal: converso com várias pessoas durante o dia. Às vezes há um assunto do dia para comentar; em outras, há um assunto inédito que você mesma traz”, relatou a jornalista.

Paralelamente às análises diárias, Cris esteve à frente de momentos históricos. Na transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a rotina foi intensa: “Teve um dia em que fiquei no ar da manhã até a noite, descobrindo quem entrava e quem saía dos ministérios. Para nós, era o paraíso: notícia o dia inteiro. Para mim, melhor do que isso, só os meus filhos!”.

Do “Papo no Cafezinho” à generosidade com novos talentos

Cristiana na estreia do Fatos e Versões, em 2003 (Foto: Reprodução)

Também no comando do Fatos e Versões, Cristiana recebia analistas e repórteres de diversos veículos para debater as manchetes da semana. Generosa por natureza, ela abriu as portas da televisão para nomes vindos da imprensa escrita que não estavam habituados às câmeras — e que hoje são referências consolidadas do próprio canal, como Valdo Cruz, Ana Flor e Natuza Nery.

Um dos momentos mais marcantes da atração era o quadro Papo no Cafezinho, no qual a apresentadora e seus convidados revelavam histórias e bastidores de Brasília guardados especialmente para o telespectador, sempre com leveza e precisão.

Uma ausência sentida na cobertura eleitoral

Às vésperas de mais uma eleição presidencial, a ausência de Cristiana Lôbo ganha ainda mais significado.

Cris tinha uma combinação difícil de encontrar: experiência, credibilidade, acesso aos bastidores e capacidade de traduzir a política para o público.

Por isso, sua falta não representa apenas a ausência de uma jornalista em uma bancada. Representa a falta de uma maneira particular de fazer cobertura política na televisão brasileira.

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