A desconstrução da masculinidade e o fim do tabu estético no audiovisual

A ocupação da tela por cenas de nudez masculina sem rodeios de câmera ou panos quentes representa mais do que provocação estética
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A repercussão gerada pelas cenas de nudez frontal masculina na série Jogada de Risco (Globoplay), somada a produções internacionais recentes como Saltburn e Euphoria, sinaliza uma mudança profunda na linguagem audiovisual contemporânea. Durante décadas, a nudez na televisão e no cinema operou sob uma assimetria gritante: o corpo feminino era frequentemente exposto e objetificado sob o olhar masculino (male gaze), enquanto o corpo masculino permanecia protegido ou restrito a momentos de alívio cômico.

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A ocupação da tela por cenas de nudez masculina sem rodeios de câmera ou panos quentes representa mais do que provocação estética: é o amadurecimento do olhar sobre a intimidade e a vulnerabilidade do homem.

A produção do Globoplay movimentou as redes sociais ao exibir sequências de nudez frontal sem filtros ou enquadramentos evasivos (Divulgação)
A produção do Globoplay movimentou as redes sociais ao exibir sequências de nudez frontal sem filtros ou enquadramentos evasivos (Divulgação)

Do alívio cômico ao realismo dramático

Historicamente, quando a nudez masculina surgia nas telas brasileiras ou internacionais, vinha acompanhada de um tom chistoso, ridicularizado ou acidental. Tratar o corpo masculino com a mesma carga de dramaticidade, intimidade ou tensão narrativa dada a outros elementos de cena quebra um tabu arraigado no mercado.

A virada de chave estética estabelece novos pilares para o audiovisual:

  • Fim da assimetria visual: O equilíbrio na exposição dos corpos desconstrói a ideia de que apenas o corpo feminino serve como catalisador de desejo ou vulnerabilidade.
  • Narrativa de poder e fragilidade: Em produções de prestígio, a nudez frontal masculina tem servido para expor contradições, disputas de ego, desamparo psicológico ou dominação, afastando-se do mero apelo apelativo.
  • Maturidade do público: A reação das redes sociais, que transita rapidamente do choque inicial para o debate sobre o roteiro, mostra uma audiência cada vez mais preparada para encarar o realismo em cena.

Ao naturalizar a anatomia masculina sem puritanismo, o audiovisual não apenas atualiza sua linguagem estética, mas desarma convenções antiquadas sobre masculinidade e exibição na tela.

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