Mesmo após registrar um lucro líquido impressionante de US$ 3,36 bilhões (cerca de R$ 16,89 bilhões) entre julho e setembro, a Netflix passa por um momento de redefinição de rotas. Uma semana após cortar mais de mil funcionários de seu quadro global — em uma demissão em massa que atingiu executivos do alto escalão como Bela Bajaria e Dan Lin —, a diretoria da plataforma admitiu aos acionistas que suas produções originais nos Estados Unidos não vêm crescendo no ritmo desejado.
Durante a apresentação dos resultados trimestrais, os co-CEOs Ted Sarandos e Greg Peters justificaram as dispensas e detalharam a chegada de Peter Rice (ex-Disney) para chefiar a divisão de conteúdo no lugar de Bajaria.

Força internacional versus gargalo no mercado americano
Segundo Ted Sarandos, o modelo global da empresa permanece sólido e não passará por guinadas radicais de estratégia. No entanto, o executivo ponderou que a expansão do engajamento em solo norte-americano ficou aquém das metas internas, diferentemente do excelente desempenho observado em outros continentes.
“Nos EUA, o cenário também é positivo, mas o crescimento não está ocorrendo tão rapidamente quanto poderia — ou o quanto gostaríamos (…) Precisamos, sim, de uma execução melhor nos Estados Unidos. Nossos títulos na América Latina, na Europa, Oriente Médio e África (Emea) e na Ásia-Pacífico (Apac) estão impulsionando o engajamento, a base de assinantes, a receita e o lucro.”
Mercados como Coreia do Sul, Japão, Índia e os países nórdicos foram destacados pelo CEO como referências em retenção de público e qualidade criativa. Para reverter o gargalo americano, a aposta repousa sobre Peter Rice, cuja bagagem unindo televisão e cinema deve influenciar os lançamentos já previstos para o fim do ano e ao longo de 2027.
Demissões em massa e disciplina financeira
Questionado sobre a necessidade de demitir mais de mil colaboradores em meio a balanços financeiros altamente lucrativos, Greg Peters defendeu a medida como um processo indispensável de “disciplina de recursos” e eficiência operacional.
- Ajuste de Rota: O executivo pontuou que o rápido crescimento da receita nos últimos anos gerou áreas com investimentos acima das necessidades reais.
- Decisões Difíceis: Peters explicou que, embora a empresa prefira ajustes orgânicos, intervenções drásticas servem como catalisadores para redirecionar capital a áreas prioritárias.
- Responsabilidade: “Não tomamos essas decisões com facilidade, mas entendemos que temos a responsabilidade de fazer escolhas difíceis em prol do nosso crescimento a longo prazo”, afirmou.