A televisão aberta tem reduzido o investimento em chamadas e campanhas institucionais, um movimento que impacta diretamente a relação com o público. A análise ganhou força após o colunista Sandro Nascimento, do site Na Telinha, apontar o empobrecimento desse tipo de conteúdo, cada vez mais raro nas grades das emissoras.
Além disso, a comparação com campanhas do passado evidencia uma mudança significativa de estratégia. Globo e SBT, por exemplo, já utilizaram chamadas como ferramentas centrais para reforçar identidade, engajar o público e valorizar seus elencos.
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Campanhas da Globo marcaram época
A TV Globo construiu algumas das campanhas institucionais mais lembradas da televisão brasileira. Entre elas, a comemoração dos 40 anos da emissora se destacou pelo alcance e pela força de comunicação.
A campanha “Diga Bom Dia”, no entanto, se tornou um dos exemplos mais emblemáticos. Com diversos cortes e forte presença do elenco, a ação reuniu nomes como Arlette Salles, Murilo Benecio, Nicetr Bruno, Cid Moreira, Glória Maria, Sérgio Chapolin, Marieta Severo, Hélio de Lã Penha, Evaristo Costa, Xuxa, William Bomner, José Wilker, Aracy Balabanian, Betty Faria, Nair Belo, Léo Batista e Lília Cabral. Um baita elenco
Além disso, a iniciativa reforçou a conexão emocional com os telespectadores ao destacar rostos conhecidos e ao criar uma mensagem otimista e coletiva. Apesar disso, a emissora não repetiu o mesmo impacto nos 50 anos, embora tenha retomado parte da força institucional nos 60 anos, ainda que sem um jingle marcante.

SBT apostou em identidade visual forte
O SBT também investiu em campanhas institucionais que marcaram sua trajetória. Um dos exemplos mais lembrados é a vinheta de 2010, conhecida como “vinheta dos prédios”.
A campanha apresentou artistas da emissora em cenários urbanos com arranha-céus, criando um visual moderno e dinâmico. Além disso, a peça resgatou o espírito de campanhas clássicas da emissora, como “Quem Procura Acha Aqui”, mesmo com trilha em inglês.
Silvio Santos apareceu no encerramento como uma espécie de maestro, conduzindo a cena. Com isso, a campanha reforçou a identidade da emissora e valorizou seu elenco de forma integrada.
Falta de renovação afeta relevância
Nos últimos anos, no entanto, esse tipo de estratégia perdeu espaço na televisão aberta. As emissoras reduziram a produção de campanhas institucionais robustas, o que contribui para o enfraquecimento da marca e da conexão com o público.
Segundo o jornalista e crítico José Armando Vannucci, a TV aberta enfrenta uma perda gradual de relevância. Além disso, a ausência de campanhas fortes acelera esse processo, já que diminui o vínculo emocional com o telespectador.
Com isso, a televisão passa a disputar atenção em um cenário com múltiplas plataformas e opções de conteúdo. Por fim, a falta de investimento em chamadas impactantes reforça a percepção de desgaste e dificulta a renovação da audiência.