De Hebe a Glória Maria: 10 mulheres que marcaram a história da TV brasileira

Do pioneirismo na teledramaturgia ao jornalismo e entretenimento, nomes femininos marcaram mais de sete décadas da TV no Brasil.
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Neste 8 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher, uma data que simboliza a luta diária por justiça, pelo fim da violência e pela consolidação dos direitos femininos. Em meio a notícias frequentes de mulheres vítimas de violência (seja ela sexual, financeira ou psicológica), a sociedade precisa avançar em políticas públicas que garantam às mulheres o direito de existir com dignidade e segurança.

Como forma de homenagear o talento feminino, o Toda Mídia reuniu alguns nomes que ajudaram a construir a televisão brasileira ao longo de mais de 70 anos de história.

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Não se trata de um ranking que mede quem foi mais importante, até porque apenas dez nomes seriam insuficientes para representar todas as contribuições femininas ao veículo. A lista tem como objetivo lembrar pioneiras e profissionais que desbravaram suas áreas e seguem sendo lembradas, ou ainda estão no ar, impactando o público com seu trabalho.

10. Glória Magadan

De acordo com o site Memória Globo, a autora de novelas Glória Magadan nasceu em Havana, Cuba, em 1920. Ela ingressou na TV Globo em 1965 para dirigir o recém-criado Departamento de Novelas da emissora.

Naquele período, a Globo ainda não liderava a audiência e enfrentava forte concorrência das produções da TV Tupi e da TV Excelsior. Com seu estilo melodramático, Glória criou pérolas do gênero, como O Sheik de Agadir (1966).

Além disso, Magadan foi uma das responsáveis por organizar a produção de telenovelas brasileiras segundo um modelo mais industrial, em meados dos anos 1960. Ela deixou a emissora quando a Globo decidiu abandonar as tramas fantasiosas e apostar em histórias contemporâneas.

9. Janete Clair

Reconhecida como “Nossa Senhora das Oito”, Janete Clair é considerada uma das mais importantes autoras de novelas do horário nobre da TV Globo.

Em 1972, por exemplo, criou a sinopse de Pecado Capital em apenas duas semanas, após a Ditadura Militar censurar a primeira versão de Roque Santeiro, escrita por seu marido, Dias Gomes.

Antes disso, até 1967, ela escreveu mais de 30 radionovelas — a maioria para a Rádio Nacional, onde estreou em 1956 com Perdão, Meu Filho. No mesmo ano de 1967, foi chamada às pressas para ajudar a salvar a novela Anastácia, a Mulher sem Destino, na Globo. A partir daí, passou a assinar alguns dos maiores sucessos da emissora.

Entre suas obras mais lembradas estão Irmãos Coragem, O Semideus, Fogo Sobre Terra, Pai Herói e Coração Alado.

8. Vida Alves

Antes de tudo, Vida Alves foi uma apaixonada pela história da televisão brasileira.

A atriz ficou conhecida por protagonizar o primeiro beijo na boca exibido em uma novela da TV brasileira. No entanto, seu legado também inclui um importante trabalho de preservação da memória do meio televisivo.

Vida lutou pela criação da Associação dos Pioneiros Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, conhecida como Pró-TV, entidade dedicada à preservação da história da televisão no país. Durante anos, ela presidiu a instituição, que hoje mantém uma sede na cidade de São Paulo e segue com a missão de preservar esse patrimônio cultural.

7. Glória Perez

Colaboradora de Janete Clair, Glória Perez assumiu a autoria da novela Eu Prometo quando a titular precisou se afastar por motivos de saúde.

A partir daí, construiu uma carreira marcada por sucessos que mobilizaram o público brasileiro. Embora tenha passado pela TV Manchete, foi na TV Globo que se consolidou durante anos como a única mulher a escrever novelas do horário nobre.

Entre suas obras estão títulos marcantes como Barriga de Aluguel, O Clone, América, Amazônia, Caminho das Índias (vencedora do Emmy Internacional), Salve Jorge e A Força do Querer.

6. Xuxa

Xuxa Meneghel se transformou em um fenômeno nacional ao apresentar programas infantis na televisão, especialmente o Xou da Xuxa, exibido pela TV Globo entre 1986 e 1992.

O programa alcançou enorme sucesso com músicas, coreografias e personagens que marcaram gerações de crianças brasileiras. Durante esse período, a apresentadora também lançou diversos álbuns infantis que venderam milhões de cópias.

Depois de passar pela TV Record, Xuxa manteve seu status de figura icônica da televisão e participou de documentários e especiais que revisitam sua trajetória.

5. Inezita Barroso

Conhecida como a dama da música caipira, Inezita Barroso também ocupa um lugar especial na história da televisão brasileira.

Ela apresentou por quase 35 anos o programa Viola, Minha Viola, na TV Cultura. Em um universo musical historicamente dominado por homens, sua presença representou um importante marco feminino.

Com o bordão “Êta programa que eu gosto!”, a atração conquistou o público e se tornou o programa musical mais longevo da televisão brasileira. Inezita morreu em 2015.

4. Fernanda Montenegro

Considerada a grande dama da dramaturgia brasileira, Fernanda Montenegro é uma das atrizes que melhor representam a teledramaturgia nacional.

Embora tenha uma carreira extensa no teatro e no cinema, foi por meio da televisão que alcançou o grande público. Em novelas, especiais e séries, demonstrou talento e conquistou gerações de telespectadores.

Entre seus papéis marcantes estão Sílvia Toledo, em Baila Comigo; Charlô, em Guerra dos Sexos; Naná, em Cambalacho; Vó Manuela, em Riacho Doce; Olga Portela, em O Dono do Mundo; Jacutinga, na versão original de Renascer; e Dona Picucha, em Doce de Mãe, entre muitas outras personagens.

3. Glória Maria

Pioneira do jornalismo televisivo, Glória Maria abriu caminhos para mulheres e jornalistas negros na televisão brasileira.

Ela desenvolveu uma linguagem própria para reportagens televisivas e enfrentou de frente o preconceito de gênero e o racismo em uma época em que esses temas ainda eram pouco debatidos publicamente.

Repórter da Globo desde 1971, Glória foi a primeira jornalista a entrar ao vivo e em cores no Jornal Nacional. Entre 1998 e 2007 apresentou o Fantástico e, a partir de 2010, passou a integrar a equipe do Globo Repórter.

A jornalista morreu no Rio de Janeiro em 2 de fevereiro de 2023, vítima de câncer.

Relembre o documentário sobre a carreira de Glória.

2. Ana Maria Braga

Uma das apresentadoras mais populares da televisão brasileira, Ana Maria Braga segue no ar e mantém forte conexão com o público.

Após décadas de carreira e mais de 25 anos à frente do Mais Você, nas manhãs da TV Globo, a apresentadora conquistou liberdade editorial para opinar sobre diversos assuntos.

Além disso, adaptou-se ao ambiente digital e também conquistou espaço nas redes sociais. Com naturalidade, compartilhou com o público momentos delicados de sua vida pessoal, como a luta contra o câncer, o vício em cigarro e a morte de pessoas próximas, como Tom Veiga, intérprete do Louro José.

Essa postura contribuiu para que Ana Maria fosse vista por muitos telespectadores como uma amiga próxima.

1. Hebe Camargo

Dona de uma risada inconfundível e de um selinho disputado, Hebe Camargo é considerada a rainha da televisão brasileira por sua importância na consolidação do meio e pela proximidade com o público.

Paulista de Taubaté, começou a carreira cantando no rádio. No entanto, foi na TV Tupi que iniciou sua trajetória como apresentadora. Posteriormente passou pela TV Record, onde comandou programas como O Mundo é das Mulheres, criado por Manoel Carlos e Nilton Travesso, que colocava temas femininos em debate.

Depois de uma passagem pela Band, chegou ao SBT nos anos 1980 e alcançou popularidade nacional como uma das principais contratadas de Silvio Santos.

Em seu famoso sofá, Hebe recebeu políticos, atores, atrizes, músicos, esportistas e pessoas comuns. Com elegância e simplicidade, conduzia conversas sobre temas de interesse do público.

Curiosamente, a apresentadora morreu justamente no Dia Internacional da Mulher, em 2012.

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