O martelo que não bateu: O fracasso de ‘Caso Encerrado’ e a sede de Silvio Santos pelo telebarraco

De Márcia Goldschmidt à Dra. Ana Maria Polo: entenda por que a aposta de Silvio Santos em um barraco importado e dublado não conquistou o público brasileiro.
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Historicamente, o SBT sempre nutriu uma paixão pelo popular. A emissora nasceu com a proposta de ser o espelho do grande público, refletindo seus dramas, conflitos e, claro, seus excessos.

Com esse objetivo no horizonte, o canal abrigou ícones como o programa Márcia, de Márcia Goldschmidt — cujos cortes ainda hoje circulam com força na internet. Recentemente, esbarrei em um vídeo clássico: uma mulher partia para os tapas com a vizinha transexual, acusando-a de flertar com seu marido. Era o puro suco da TV aberta dos anos 90.

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Programa foi produzido originalmente pela emissora hispânica Telemundo (Foto: Reprodução)

O DNA do “telebarraco” nacional

Anos depois, a emissora lançou o Casos de Família, que atravessou duas fases distintas. A primeira, comandada por Regina Volpato, equilibrava o caos com um bom gosto surpreendente. Regina acolhia os convidados, refletia sobre os dilemas e ria com eles, nunca deles. Ela se emocionava genuinamente.

Já a segunda fase, sob o comando de Cristina Rocha — um símbolo da casa —, apostou em um perfil mais despachado e popular, elevando o tom do apelo visual e emocional.

A aposta exótica: Dra. Ana Maria Polo dublada

Entretanto, em 2014, Silvio Santos decidiu inovar de forma questionável: trouxe ao Brasil uma versão dublada de Caso Encerrado (do original em espanhol Caso Cerrado), comandado pela advogada Ana Maria Polo.

O formato era um fenômeno latino que durou quase 20 anos no exterior, e Silvio apostava em um sucesso garantido. Errou feio. A atração entregava o que o público já conhecia, mas a dublagem criava uma barreira intransponível de estranheza. A bizarrice começava já na abertura, que trazia a própria Ana Maria Polo cantando uma versão traduzida da música-tema.

“Se você gostar, continua”: A falta de fé do SBT

A própria emissora parecia não botar fé no projeto. O SBT chegou a veicular chamadas em que pedia a opinião dos telespectadores: “Se você gostar, continua”, dizia o locutor, quase como um pedido de desculpas antecipado.

Exibido inicialmente no turbulento horário das 18h30, o programa saiu do ar rapidamente. Em uma última tentativa desesperada, Silvio lançou o Caso Encerrado – Proibido nas noites de sábado, focando em bizarrias e no estilo “mundo cão”.

Veredito: O barraco brasileiro é soberano

Por conta de tudo isso o Caso Encerrado foi um fracasso no SBT. Não funcionou. O público brasileiro gosta de consumir seus próprios barracos, com sotaque e trejeitos locais. Mesmo sendo um triunfo na televisão hispânica e americana, no Brasil o martelo da Dra. Polo não encontrou eco. E, para o bem da grade, caso encerrado.

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