A morte do jornalista Renato Machado carrega um significado profundo. Não apenas por ele ter sido um dos maiores nomes da comunicação no Brasil, dono de um estilo refinado que se transformou em sua marca registrada, mas também por representar uma forma de fazer jornalismo que, infelizmente, praticamente caiu em desuso na televisão brasileira.
Durante mais de 40 anos, Renato Machado informou os brasileiros, fosse na bancada ou nas ruas, pautado, sobretudo, pelo respeito e pela educação. Homem reconhecidamente culto, ele nunca menosprezou a inteligência dos telespectadores; pelo contrário, fazia questão de traduzir o mundo erudito para o grande público de forma natural e acessível.
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Renato Machado ajudou a reinventar o Bom Dia Brasil
Renato foi o grande responsável por idealizar e consolidar o formato que transformou o Bom Dia Brasil em um telejornal diferenciado. Em depoimento à CNN Brasil, o jornalista Márcio Gomes revelou que quase a totalidade da dinâmica do programa saiu da mente de Machado: a transição entre a bancada tradicional para as notícias mais duras e um segundo ambiente, com poltronas confortáveis, desenhado especificamente para entrevistas mais intimistas e profundas.
Também partiu de Renato a ideia do clássico compilado de imagens que resumia os principais fatos da semana. O formato era tão preciso que, recentemente, o quadro foi resgatado para as redes sociais do telejornal, após uma visita carinhosa da apresentadora Ana Paula Araújo, que fez questão de pedir a bênção e a autorização diretamente ao criador.
Um contraste com o jornalismo atual
O contraste com o cenário atual, contudo, é doloroso. O que se observa em grande parte dos veículos de comunicação contemporâneos passa muito longe da escola de Renato Machado. Em um episódio recente que viralizou na internet, um repórter de emissora concorrente, ao receber uma resposta ríspida de um entrevistado, partiu para o confronto verbal ao vivo. Uma cena lamentável que confunde jornalismo com espetáculo. É evidente que o telejornalismo precisava evoluir e se modernizar, mas certos princípios éticos deveriam ser inegociáveis.
Rever a trajetória de Renato Machado através dos arquivos da TV ou recordar sua voz pausada nas manhãs brasileiras não é apenas um exercício de nostalgia, mas um chamado à reflexão para as novas gerações de comunicadores. A memória de Renato permanece viva em tempos de cliques fáceis e dancinhas para nos lembrar de que a autoridade jornalística não se conquista com gritos, mas com compromisso inabalável com o telespectador.
