O telejornalismo brasileiro seria muito diferente sem a ousadia de Fernando Barbosa Lima e Borjalo. Estreado em 15 de abril de 1966, o Jornal de Vanguarda rompeu o “gesso” da formalidade e trouxe para a tela o que havia de mais moderno na imprensa escrita e no rádio da época.
95 anos de Chico Anysio: O mestre que criou um país com seus personagens
Mais que notícias: Uma quebra de paradigma
Até então, os telejornais eram marcados por uma leitura rígida e solene. O Vanguarda mudou esse cenário ao introduzir:
- Linguagem Coloquial: O tom era de conversa, aproximando o público da notícia.
- Profissionais da Escrita: Pela primeira vez, grandes nomes dos jornais impressos ocuparam o espaço antes dominado por locutores de rádio.
- Múltiplos Apresentadores: A dinâmica era ágil, com vários jornalistas dividindo a cena e indo muito além da leitura de textos.

O “Sombra” e o humor ácido
Um dos maiores ícones do programa foi Célio Moreira. Ele interpretava o “Sombra”, um locutor misterioso que aparecia apenas em silhueta para dar “furos” de reportagem e informações confidenciais. Esse recurso de mistério e teatralidade era algo jamais visto em um noticiário.
Além disso, o jornal contava com o olhar crítico e satírico de gênios como Millôr Fernandes e Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que traziam humor e ironia para os acontecimentos do dia a dia.
Um time de “Vanguarda”
O elenco escalado pela Globo em 1966 parecia uma seleção brasileira do jornalismo e da cultura:
- Newton Carlos: Referência absoluta em comentários internacionais.
- João Saldanha: A voz polêmica e vibrante no esporte.
- Gilda Müller: Responsável pela coluna feminina, trazendo diversidade de temas.
- Política: Um trio de ferro formado por Darwin Brandão, Villas-Boas Corrêa e Tarcísio Holanda.
| Detalhe | Informação |
| Estreia | 15 de abril de 1966 |
| Direção | Fernando Barbosa Lima e Borjalo |
| Diferencial | Fim do formalismo e uso de personagens (O Sombra) |
| Emissora | TV Globo (Rio de Janeiro) |