Tudo começou com um simples toque de telefone e uma voz convincente do outro lado. Um funcionário da Jovem Pan, acreditando falar com o gerente da conta da emissora no Bradesco, seguiu instruções para habilitar um suposto “chat empresarial”. O que parecia ser uma atualização rotineira de segurança era, na verdade, o início de um pesadelo financeiro.
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Em apenas 40 minutos, a conta da rádio foi esvaziada em R$ 175,3 mil.
A Anatomia do Golpe: 18 Pix em tempo recorde
O criminoso agiu com precisão cirúrgica. Ao convencer o colaborador a clicar em um link falso e fornecer senhas e tokens, ele ganhou as “chaves do cofre”.
O resultado foi uma enxurrada de transferências: 18 Pix realizados em sequência, alguns com valores idênticos e para as mesmas contas. Quando a equipe financeira da Jovem Pan percebeu a movimentação e tentou estancar a sangria, o prejuízo já estava consolidado.

A Batalha Judicial: De quem é a culpa?
Com o rombo no caixa, a Jovem Pan acionou a Justiça contra o Bradesco. A tese da emissora era clara: o sistema de segurança do banco deveria ter detectado o comportamento anômalo. Afinal, 18 transferências em 40 minutos não fazem parte do dia a dia de uma empresa, certo?
“Não se está diante de uma operação isolada, mas de uma sucessão concentrada de movimentações que impunha resposta preventiva imediata”, defendeu a emissora no processo.
O Veredito: A Justiça absolve o banco
Apesar dos argumentos da Jovem Pan, a decisão da 9ª Vara Cível de Osasco foi um “balde de água fria”. A juíza Rossana Luiza de Faria entendeu que a falha não foi do banco, mas sim da própria empresa.
O motivo? O banco provou que seu sistema de segurança entrou em contato com a emissora para checar as transações suspeitas via WhatsApp, e os próprios representantes da Jovem Pan confirmaram as operações enquanto o golpe ainda acontecia.
Por que a Jovem Pan perdeu a ação?
- Ação Voluntária: O funcionário clicou no link e entregou os tokens por vontade própria.
- Ambiente Externo: O golpe não nasceu de um hacker invadindo o banco, mas de uma manipulação humana fora dele.
- Validação: A empresa deu o “ok” para as transações quando questionada pelo sistema de alerta do Bradesco.
O que acontece agora?
A magistrada concluiu que é inviável imputar defeito ao serviço do banco quando o cliente fornece as credenciais e valida as operações. A Jovem Pan ainda pode recorrer da decisão para tentar reaver o valor em instâncias superiores, mas a sentença de primeira instância acende um alerta vermelho sobre a segurança interna nos grandes grupos de comunicação.