Globo faz 61 anos: 7 novelas que ajudaram a construir a história da emissora

De O Sheik de Agadir a Avenida Brasil, relembre produções que marcaram momentos decisivos da dramaturgia da TV Globo.
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Neste dia 26 de abril, a TV Globo celebra mais um aniversário. São 61 anos desde a fundação, em 1965. Como não se trata de uma data “redonda” (terminada em 0 ou 5), a emissora não preparou nenhum tipo de comemoração especial. Mas o Toda Mídia aproveita a efeméride para lembrar de 7 novelas (6+1) que foram fundamentais na história da emissora.

Desde já, um disclaimer: a Globo produziu centenas de telenovelas ao longo dessas mais de seis décadas. Por isso, este texto busca listar apenas algumas que foram fundamentais para a emissora em momentos-chave ou que se tornaram verdadeiras referências no gênero.

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O Sheik de Agadir (1966)

Cláudio Marzo e Mário Lago em O Sheik de Agadir, 1966 (Foto: Globo)

A novela foi muito importante nos primeiros anos de existência do departamento de dramaturgia da emissora e contribuiu diretamente para sua consolidação. No elenco, nomes que se tornariam referência no mercado nacional, como Yoná Magalhães, Marieta Severo, Mário Lago, Emiliano Queiroz, Cláudio Marzo e Sebastião Vasconcelos. A obra foi escrita por Glória Magadan.

Baseada no romance Taras Bulba, de Nikolai Gogol, a trama tem como cenários um reino árabe e a França ocupada por nazistas. O xeque Omar Ben Nazir (Henrique Martins) disputa o amor da francesa Janette Legrand (Yoná Magalhães) com o oficial do Exército francês Maurice Dummont (Amilton Fernandes).

Irmãos Coragem (1970)

Tarcísio Meira com Cláudio Cavalcanti e Cláudio Marzo, protagonistas de Irmãos Coragem (Foto: Globo)

Verdadeiro fenômeno nacional, Irmãos Coragem foi uma das primeiras novelas a fazer o Brasil parar por conta de um folhetim da Globo.

Janete Clair escreveu a novela sozinha, sem o auxílio de qualquer outro colaborador.

De acordo com o site Teledramaturgia, os índices de audiência comumente ultrapassavam os 85% — marca então inédita para uma telenovela na época. Por sua trama repleta de elementos masculinos, pela primeira vez os homens assumiram que viam novela.

Na fictícia cidade de Coroado, no interior de Goiás, três irmãos se insurgem contra o poder do latifundiário Pedro Barros (Gilberto Martinho), que controla o comércio de diamantes na região. João (Tarcísio Meira), Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) e Duda (Cláudio Marzo) são os irmãos Coragem, filhos de Sebastião (Antônio Victor) e Sinhana (Zilka Sallaberry).

O Bem-Amado (1973)

Lima Duarte e Paulo Gracindo em cena como Zeca Diabo e Odorico Paraguaçu (Foto: Globo)

Foi a primeira novela exibida totalmente em cores pela TV Globo e por uma emissora brasileira.

A obra é considerada uma obra-prima de Dias Gomes ao satirizar a ditadura em pleno Regime Militar. Seu texto é tão atual que ainda hoje serve de referência para a produção de crônicas.

Prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu usa seus artifícios para ludibriar o povo e aumentar sua popularidade. Sua grande meta é inaugurar um cemitério.

O único problema é que ninguém morre na pequena cidade, o que o leva a criar situações para que isso finalmente aconteça.

Roque Santeiro (1986)

  “Tô certo ou tô errado?”, bordão de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), em Roque Santeiro, ficou na boca do povo

Mais uma criação de Dias Gomes, desta vez ao lado de Aguinaldo Silva, em uma época em que a Globo só emplacava sucessos, Roque Santeiro foi por muitos anos a novela de maior audiência da história da televisão. Um único capítulo chegou a marcar 91 pontos no Ibope. Já o último capítulo registrou impressionantes 96 pontos.

Conforme o Teledramaturgia, para escrever Roque Santeiro, Dias Gomes se baseou em sua peça O Berço do Herói, escrita em 1963, mas proibida de ser encenada pela censura do Governo Militar. A peça, por sua vez, remete ao romance O Falecido Matias Pascal, de Luigi Pirandello, lançado em 1904.

Vale Tudo (1988)

Regina Duarte e Glória Pires na versão original da novela (Foto: TV Globo)

Para muitos, esta é a melhor novela já feita pela TV Globo.

Em 1988, Vale Tudo, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, conseguiu captar o espírito de um Brasil que começava a respirar a redemocratização e almejava muito mais.

Vale tudo para se dar bem no Brasil? Esse foi o mote que moveu a trama de Maria de Fátima, Raquel e Ivan, culminando em outra pergunta histórica: quem matou Odete Roitman?

O país parou verdadeiramente para acompanhar aquele desfecho. Em um mundo sem internet, quase completamente analógico, as pessoas ficaram monotemáticas. O mistério da morte da vilã interpretada por Beatriz Segall se tornou um dos maiores acontecimentos da televisão brasileira.

Tieta (1989)

Tieta do Agreste, das páginas de Jorge Amado, direto para a televisão (Foto: TV Globo)

Escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzsohn, a novela foi ao ar originalmente em 1989, numa época em que talento, ousadia e acurácia sobravam na Globo.

Ambientada na fictícia cidade de Santana do Agreste, no Nordeste brasileiro, a novela — adaptação do romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado — começa quando Tieta é escorraçada da cidade pelo pai, Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), irritado com o comportamento liberal da jovem e influenciado pelas intrigas da outra filha, Perpétua.

Betty Faria entrega aqui uma de suas melhores protagonistas.

Avenida Brasil (2012)

Adriana Esteves como Carminha, em Avenida Brasil, novela é reprisada no Vale a Pena Ver de Novo em 2026

Em 2012, a TV Globo exibiu seu último grande fenômeno de audiência.De Avenida Brasil para cá, o mundo mudou em uma velocidade quase inalcançável. Porém, essa foi a última novela a captar de fato como os brasileiros viviam essa transformação.

A história colocou na tela uma nova classe C que consumia, viajava, falava alto, tinha desejo e se posicionava.

Adriana Esteves viveu Carminha, uma das vilãs mais lembradas da história das novelas. Para 2027, num claro sinal dos tempos em que boas histórias estão cada vez mais escassas, a Globo aposta em uma continuação da trama no horário nobre.

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